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Bike agora tá na lei!
Fique de olho, pois vai acontecer neste verão...

P...O...R ......R...E...N...A...T...A ......F...A...L...Z...O...N...I

 

A partir de 22 de janeiro de 98, quando você estiver pilotando um carro e ultrapassar uma bike, reduza a velocidade, afaste-se pelo menos um metro e meio dela e ultrapasse-a "pedindo licença". É isso mesmo! Tá na nova lei, o ciclista tem a preferência nas ruas e o motorista poderá ser multado, se tirar fina, encostar na bike ou mesmo ultrapassá-la na vulada. A bicicleta por sua vez, deverá estar na direita, nunca na contramão ou na calçada, ter espelho retrovisor na esquerda, refletivos na frente, atrás, nas laterais e nos pedais e mais .... uma campainha! Isso mesmo, uma campainha!!!!

Parece estranho, mas é o saldo positivo de uma batalha de anos em Brasília, que resultou no novo Código Nacional de Trânsito, cuja principal mudança é o conceito de que as ruas foram feitas para o cidadão e não apenas para as latas à motor.

 Relembrando a história

Primeiro, as trilhas eram dos pedestres. Depois, cavaleiros e carruagens passaram a dividi-las, surgindo ruas e estradas. Naquela época, a velocidade pouco fugia da escala humana, havendo tempo para a cordialidade.

Com as máquinas, o Homem passou a associar o poder à posse delas.

A pressa deu o toque final da atualidade.

Hoje, transportar-se nas ruas e estradas do Brasil, significa arriscar-se numa guerra civil, munida da irresponsabilidade impune de alguns motoristas kamikases, que matam sem parar, uma média de 4 pessoas por hora.

 

Voltando ao ponto

O novo Código Nacional de Trânsito, qual Frankeinstein, é uma colcha de retalhos, resultado de negociações entre diferentes lideranças.

Entre elas, as autoridades sedentárias descrentes do transporte em bike, e a "turma do pedal" representada por Gunther Bantel, coordenador do Projeto Ciclista da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente (São Paulo).

Resultado: Importantes conceitos e obrigações passaram como:

- A circulação de bicicletas e pedestres tem preferência sobre veículos automotores.

- Um ciclista desmontado empurrando a bicicleta equipara-se ao pedestre em direitos e deveres.
- Obrigação dos órgãos competentes em desenvolver a circulação e a segurança dos ciclistas.
- Defesa ambiental como objetivo.
No final, vetou-se às crianças com até 10 anos, pedalar nas calçadas em bicicletas munidas de campainhas para alertar os pedestres.
Nem se cogitou a obrigação do uso de capacete, que conforme estudos norte americanos, pode reduzir em até 75 % as fatalidades com bicicletas.
No mexe que mexe, restou a obrigação da campainha na bike que nada serve para defendê-las dos automóveis. Fica o romântico trim trim, para lembrar que buzina de ciclista é o berro e que, só no grito, a luta pelo direito da bike vai pra frente.

Renata Falzoni 44 é jornalista, fundadora
e presidente do Night Biker's Club do Brasil

 

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